Ao final dos anos 80, com
uma forma especial de planejar e controlar atividades, a Gerência de Projetos invadiu
empresas americanas e européias. Ao longo dos anos 90, esta eficaz maneira de se gerar
valor continuou a expandir sua consolidação técnico-científica e conquistando adeptos
em todos os Continentes. Hoje, uma verdadeira "Cultura Projetos" toma conta das
empresas benchmarking em seus segmentos.
Afinal, o que está acontecendo no mundo empresarial? Descobriu-se o evidente: a
aprendizagem (e tudo que dela decorre) fica extremamente facilitado com o planejamento e
controle de atividades através de projetos. Imagine-se diante das seguintes situações:
a) missão de cumprir uma tarefa que se caracteriza entre o sentimento do "já
realizado" e o "nunca visto"; b) dúvida com relação ao sucesso da
escolha de uma determinada técnica em uma situação particular; c) forma de envolvimento
de áreas e interesses divergentes; d) organização de uma equipe funcionários para uma
task force; e) estimar o "design to cost" na fase de ante-projeto de um novo
produto, ... . Todo este desafio fica facilitado organizando atividades através de
projetos.
Durante o 2° Seminário Internacional Gerência de Projetos: desenvolvendo excelência em
aprendizagem em projetos, realizado em Curitiba nos dias 20 e 21 de maio de 2.000, 204
participantes de diferentes empresas multinacionais e nacionais, industriais e de
serviços, sediadas em várias partes do país tiveram a oportunidade de conhecer
informações relevantes sobre o estado da arte e das aplicações em projetos que estão
favorecendo a aprendizagem e, por extensão, os ganhos nos negócios.
Na pauta das discussões diversos ítens ainda pouco debatidos no país: certificações
profissionais, controle de projetos através da engenharia simultânea, ABC Costing para
diagnóstico em fases iniciais de projetos, lições da aprendizagem em projetos
empresariais, casos de aprendizagem em projeto de produtos, quantificação da
aprendizagem em curvas e as tendências no setor de "Project Management". Em um
total de doze conferências e um dinâmico debate, pode-se gerar uma primeira
caracterização do estágio atual do conhecimento e da aplicação de metodologias e
ferramentas de Gerência de Projetos no país: tímido, muito tímido !
Segundo levantamento realizado durante o referido evento, nas empresas em que existe uma
ou outra ferramenta (gerenciador de projetos, por exemplo) falta formação de base e, por
extensão, competência para o design de eficazes metodologias. Entretanto, este não é o
caso da maioria, onde nem ferramentas foram desenvolvidas e/ou compradas no mercado. A
fração verdadeiramente representativo dos problemas se concentra nos casos onde inexiste
os fundamentos da "Cultura Projetos", o que fragiliza a aprendizagem e a força
competitiva das empresas.
Louvável caso de escola a nível mundial, o relato da forma de se conduzir projetos com
elevado grau de sucesso na Agência Espacial Francesa (CNES), principal responsável pelas
atividades de lançamento de foguetes ( Ariane ) e satélites (SPOT etc), foi sintetizada
por seu Diretor de Sistemas Orbitais: forte investimento em treinamento, estabilidade das
equipes, objetivos claros, horizontes de planejamento de curto e longo prazos bem
definidos e recursos utilizados conforme uma criteriosa alocação técnica. Um dos
exemplos de se conduzir a aprendizagem no CNES é extremamente ilustrativo da nova forma
de se trabalhar em equipes e explica a razão de diversas instituições européias
estarem buscando transposição do "estilo CNES de trabalhar": é a atuação do
chamado "DDO" (Directeur des Opérations). O que é e o que faz o Diretor das
Operações da Agência ?
O DDO é um profissional de nível superior com elevado conhecimento em "engenharia
de negócios". Quando da preparação para o lançamento do Ariane (de 3 a 4 meses
para o Ariane 4 e de 12 meses para o Ariane 5), ele é o responsável pelas operações na
Base de Kourou, preparando o lançamento com os clientes. Ele controla a situação do
lançador e da carga útil, da base de lançamento, da meteorologia, dos radares e dos
critérios de segurança. Somente ele pode ordenar a paralização das operações de
lançamento. Quando fora do período de preparação para os lançamentos, o DDO é um
engenheiro de negócios e gerencia aproximadamente 10 projetos até que é chegado o
momento de preparar um novo lançamento. Qual é a característica do trabalho de um DDO ?
Altíssima responsabilidade sob extrema tensão! Entretanto, o freqüente sucesso de seu
trabalho é fruto da confiança, respeito e invejável espírito coletivo que toma conta
das equipes mobilizadas quando da preparação e sobretudo quando do lançamento do
Ariane.
Em síntese, no caso do CNES, e de muitas outras empresas vencedoras em atividades de
projetos, o vetor que orienta e controla permanentemente o trabalho é o seguinte lema:
"acertar ou acertar", e isso coletivamente. Esta é, sem dúvida, uma eficaz
maneira comportamental de se produzir aprendizagem de alto valor agregado. Entretanto,
isto também supõe muita confiança, espírito de equipe e capacitação profissional,
características não facilmente encontradas em grande número de equipes conduzindo
projetos no país.
Desta forma, é preciso uma ação urgente para se repensar a forma de se conduzir
projetos nas empresas. Um primeiro (e permanente) passo para isso é investir fortemente
em treinamento sobre fundamentos, metodologias e ferramentas de Project Management para
todas as áreas funcionais das empresas.
Finalmente, e aguardando com entusiasmo a ocorrência do 3° Seminário Internacional de
Gerência de Projetos (segundo semestre de 2000), fica registrada nossa mensagem aos
responsáveis empresariais que estão pensando no futuro através de efetivas ações no
presente.
Darli Rodrigues Vieira,
Professor da UFPR e Consultor
darli.vieira@mais.sul.com.br
Esta página é parte integrante do www.guiadelogistica.com.br .